quarta-feira, 18 de julho de 2007

Retalhos

Retalhos

Caco, caco de vidro
De vidro caco
Caco quebrado
Janela aberta
Por uma pedra
Que foi jogada
Não sei por quem.

Cato, cato pedaços
Pedaços grandes
De coisas poucas
De vida toda
Toda sofrida
Por um amor
Que catô suas coisas
E pro outro lado fez sua morada.

Bebo, bebo de gole
Copo ou caneca
Balde ou garrafa
Para esquecer ou pra agradecer
Que é essa vida e muito doida
Deixa o sujeito
Sem rumo certo

Canto, canto bem alto
Desafinado, desalinhado
Porque a alegria mata a maldade
Que faz o grosso ficar fininho
Canta baixinho, apaixonado
Canta de dia, canta de noite
Canta dormindo, canta acordado.


Choro, choro escondido
De medo, de alegria ou de tristeza
Choro, choro acanhado
Choro manhoso
Homem não chora
Quem foi que disse
Não me ensinaram
Chorar direito
Chorar com gosto
De alma lavada

Sorrio, de gargalhada
Por tudo, ou talvez por nada
Nada é mais belo
Que uma risada
Riso maroto, riso safado
Riso inocente
Derruba a gente.

Luto, luto com força
Contra a injustiça
Porque tamanha perversidade
Por isso eu luto
Com toda força
Por toda a vida
Que ela não vire, vire RETALHOS.

Um comentário:

Anne disse...

Adoro construções como essa! Parabéns!
A gente se enxerga nas suas palavras...
ser humano!